sexta-feira, 27 de maio de 2022

O menino e o sorvete (homenagem ao excepcional jornalista David Coimbra que hoje nos deixa)

 




O menino e o sorvete


Há muitos anos, o jornalista David Coimbra fez um de seus incontáveis textos sobre, se não me falha à memória, um menino pobre das bandas do I.A.P.I. que havia ganhado um sorvete com várias bolas coloridas de sabores. Não cabia em si de contentamento porque não tinha dinheiro para comprar um sorvete e aquele era um presente cheio de encantamento. Contudo, ao voltar para casa com seu sorvete, tropeçou e suas bolas se espatifaram no chão e, com o calor que fazia, o que sobrou foi derretendo...

Logicamente que eu, simples leitora, não saberia aqui dizer a forma como David Coimbra retratou aquele trágico evento. O uso de suas palavras, o sentimento que impunha a cada parágrafo de seus textos era e será sempre de um brilhantismo único, somente expresso por profissional da escrita de seu gabarito.

Naquela ocasião fui procurá-lo na redação de Zero Hora para lhe dizer o quão comovida fiquei com essa história. Recebeu-me com carinho, agradecido e me levou até sua mesa de trabalho, um ambiente amplo cheio de jornalistas. 

Saí de lá com a alma leve e feliz, contente por ter lhe dito o quanto gostei daquele seu texto.

Hoje nos deixa David Coimbra e não saberá que essa chuvinha miúda, triste, que caiu na Capital durante todo dia, foram lágrimas singelas que derramaram todos seus amigos, seus leitores, seus admiradores em perfeita consonância de respeito, consideração, admiração pelo grande escritor que tivemos o prazer de conhecer.

Um beijo David...obrigada por tudo.


Maria Marçal

sábado, 19 de outubro de 2019

Fico pensando....


Ao ouvir Charles Aznavour  em toda sua simplicidade, num som límpido, comovente, quase como um sussurro, fico pensando como estamos sedentos por uma vida assim.

Fico pensando que seria tão bom se reaprendêssemos a equilibrar a divergência, social ou familiar, soprando ao vento palavras não castigadas pela má educação.

Ah! como seria providencial que todas nossas diárias angústias e inquietações se entrelaçassem entre os dedos numa oração de cura, de redenção!

Fico realmente pensando que assistir um grande cantor e uma boa música não requer luzes, extravagâncias quase obscenas, trajes que convidam ao sexo, às drogas, às alucinações de mentes despreparadas....

E, no conturbado - quase doentio - campo político, fico pensando que todos...todos, indistintamente, não conseguem se desapegar do poder, da ganância, da obstinada busca de atenderem a si próprios ...que pena...que lástima... que caminhada triste.

Mas, por fim... Charles Aznavour reverte esses abismos e deixa-nos um legado precioso: o propósito de apreciar a vida com notas de doçura. 

Assim seja!

Maria Marçal
Blog Maturidade



quarta-feira, 26 de julho de 2017

NO BALANÇO DO AMOR


Meus netinhos: Maximiliano (menor) e Dante Luiz

Hoje, Dia dos avós, a gente carrega uma pontinha de orgulho, porque nossos filhos conseguiram nos dar este presente precioso que é ouvir, diariamente:

- Oi Vovó Graça! (do maior)  e, do menor, aquele olhar de amor acompanhado de um largo sorriso.

Coisas tão simples, não é mesmo, caro leitor amigo, mas com um grau superlativo de emoções, de sentimentos.

Aqui, nesta foto, meus netos descobrem o que é liberdade desde cedo na casa da vó.

E, eu, como que por milagre, sigo no balanço do amor, junto a minha filha e esses pequeninos tesouros.

Parabéns para nós, que amamos estar nessa condição de avós!


Maria Marçal
Dia dos Avós 2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SERÁ QUE FICO ...





Será que fico assistindo tudo assim:

Parada, estagnada frente à tanta farra com nosso dinheiro;

Calada, perante esse congresso/senado/assembleia legislativa composto de pessoas inescrupulosas, indignas, que, num dedilhar de painel, aprovam, eufóricos, leis que nos tornam indivíduos submissos, curvados;

Servil a esse novíssimo governante, seja ele/ela municipal e/ou estadual, que somente aponta 'crise' e vai, sorrateiramente, arrecadando e elevando impostos;

Olhos vedados como o faz nossa Justiça;

Encurralada pela força das armas em mãos bandidas;

Amedrontada em razão de um País à deriva;

Alheia ao empobrecimento do outrem;


Será que fico, de fato, tão fora de foco, porque se de quem esperávamos JUSTIÇA, faleceu (Teori Zavascki). 
E, vem aí, a indicação de um infiltrado - essencialmente político - para terminar de desmantelar a Ordem e Progresso desse nacionalismo, ora coberto de lama.

Esta maturidade que nos faz olhar para traz, visualiza um momento que a nada podemos comparar: esse estado desesperador de usurpação.

Não gostaria de 'ficar', mas realmente que espaço nos deixam esses homens públicos incrustados no poder, cujos, a cada dia que passa, sabotam nossa dignidade, os exemplos da História e a decência, sob o olhar incrédulo do povo brasileiro sedento por normalidade.

Será que fico.... já não sei mais!


Maria Marçal