quinta-feira, 22 de julho de 2010

CRIANÇAS QUE O MUNDO DIZ "NÃO"
















Aqui em Porto Alegre temos os Poemas no ônibus, bela iniciativa da Secretaria Municipal da Cultura.

Certo dia meus olhos passaram por essa triste realidade expressa de maneira grandiosa e afixada na janela do Coletivo.

Copiei e agora trago para ilustrar essa matéria.

Quem são?

Quem são estas crianças?
Com seus olhos baços e mortiços
Que mendigam pelos guetos, pelos becos...
Pelas ruas sem saídas de suas vidas.

Quem são, essas crianças?
Que nos olham com seus olhos velhos,
Com seus rostos opacos e sonhos mortos,
De esperanças de uma vida risonha e feliz.

Quem são, essas crianças?
Que nos atacam nas esquinas e se escondem da infância,
E nós fingimos não ver para não sofrer.

Quem são essas crianças?
Que vão passando pela vida sem levar nada.
E nós, deixando de olhar para não sentir.

Marisa Cardoso Piedras - Autora do Poema
Poema no Ônibus - Um brilhante trabalho cultural promovido pela SMC


Crianças de rua ...um mundo à parte.

Se fosse dada a oportunidade de nascerem em berços repletos de aconchego, de amor, de cobertores quentinhos com Neston hora sim hora não, crescendo sadios naquele ambiente que por vezes não damos o valor que merece: UM LAR.

As brincadeiras de rua de filhos "apessoados" devem parecer o paraíso a esses pequeninos descalços pelo abandono.

Percebo quanta verdade nesses versos. De fato passamos rápido pela pobreza, pela desigualdade. Entregamos uma moedinha, um pão com manteiga, um picolé e viramos às costas achando que cumprimos o dever cívico de "ajudar a quem o mundo renega uma chance".

Quando vimos uma artista famosa e abonada socialmente (Cissa Guimarães) perder um filho aos 18 anos me vem aquela preocupação de "agasalhar" minha filha, protegendo-a dos perigos, temendo por ela... mas e esses seres pequenos desnutridos e largados nas ruas da cidade quem os protege? Quem os tirará dos guetos e becos como diz o poema acima?

Pais de crianças assim talvez saibam conviver melhor com trajédias que envolvam seus filhos, porque os atiram à selva desde cedo.

Nem pais nem filhos pensam no futuro... apenas no pão nosso de cada dia.

A vida lhes ensina e injeta imunidade perante a dor, a fome, fazendo do NÃO uma palavrinha insignificante.

Aprender com os desiguais desde o skate até o improvisado barquinho de jornal, eis a questão sem resposta.

Talvez esteja na hora de parar de Brincar de Viver:



Maria Marçal - Porto Alegre

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