quarta-feira, 27 de julho de 2011

ESTAR SOZINHA(O) NÃO É BICHO DE SETE CABEÇAS





O que se diz sobre 'bicho de sete cabeças': algo complicado, difícil de resolver.

Em POEMASCARA tem uma poesia que recebi no Centro de Cultura Mário Quintana numa apresentação de rua que fala assim:

"vou partir do porto q cheguei
vou chegar no porto q parti
levo a vontade d vencer
trago o prazer d existir..." (segue)

Ainda, num e-mail que minha amiga Celsa enviou e cuja também curte essa vida sem par, traz um belissimo texto do Ivan Martins que é editor-executivo de ÉPOCA.

Lê-se parte do relato do jornalista com sua prima, que vive muito bem obrigada, sozinha:

"Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa, disse a prima. Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem." (segue...)


Minha visão do tema:

Também vivo sozinha (em termos, pois com meus amigos e família à volta) e vez por outra me bate essa sensação de que não é um bicho de sete cabeças a gente dividir espaços somente conosco, muito embora todas as pessoas próximas a mim saibam que desejo uma relação bacana de companheirismo, harmonia com alguém que há de chegar...

Mas tomar um cálice de vinho desacompanhada em noites frias de inverno gaúcho é delicioso, também. Escolher nossos horários, tomarmos banho demoradamente, fazer uma comidinha que atenda somente nosso paladar, ir ao shopping e ficar por lá horas e horas sem a preocupação de voltar, não precisar mostrar notas de compras nem esconder a bolsa de R$ 600,00...

É, pensando bem, a vida de homens e mulheres sem par é toda às claras e isso é ultra positivo para nosso sossego.

Se errar quem paga o pato é a gente mesmo...

Tive uma pessoa em minha vida de descasada anos atrás que me disse:

- Acho que estou tão acostumado a viver sozinho que não sei se conseguirei morar com outra, hoje.

Sempre pensei que aquele pensamento era egoísta, não deixando entrar uma nova chance de ser feliz naquela casa com um amor novo, mas passado o tempo revi esse conceito e percebi que ele estava certo: era feliz sozinho com suas manias, com seus horários ou falta deles e tudo mais que vai se arraigando aos costumes de uma vida sem a companhia do sexo oposto.

Continuamos nos falando eventualmente e percebo que ele está feliz assim... Não entendia isso naquela época.

De certa maneira também sou como essa pessoa que passou por minha vida: vivo feliz comigo mesma. Estabeleço minhas metas, acordo e durmo planejando atividades, onde não há alguém para compartilhar e vou acostumando a isso de tal sorte que acabo por me suprir interiormente.

O amor poderá se agregar à essa realidade futuramente, não sei, no entanto se me perguntarem se sou feliz assim como estou direi que SIM!

Concluo dizendo que o estado de felicidade de pessoas sem par independe da presença de outrem, porque a satisfação interna está diretamente ligada a escolha que fazemos de chegar e sair de um 'porto' com a sensação de ter optado pelo que melhor nos convenha.

- bah! mas tu estás sozinha, Maria, que pena!

- Olha, amiga, não sintas pena de mim... Estou num dos melhores momentos de minha paz.

- Ah! que bom, então, Maria!


Maria Marçal

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